quarta-feira, 21 de julho de 2010

Diário de uma ex-adolescente

Aos quinze anos a gente pensa que tem um universo inteiro a ser descoberto, explorado e o mundo parece tão grande que dá a sensação de que não há tempo para conhecer tudo que se quer. Tudo tem quer ser feito pra ontem, como se o mundo fosse acabar amanhã.
Mal deu tempo de conhecer as maravilhas do mundo e logo vem uma ‘passagem’ tão desejada: a chegada dos dezoito anos! É uma ansiedade tão grande completar dezoito anos! Porque com dezoito anos não precisa mais usar RG falso pra entrar na balada, no motel...Com dezoito anos já pode tirar carteira de habilitação...
E o que a gente sempre esquece é que com dezoito anos é hora de tomar um monte de decisões que não estamos preparados. Com dezoito anos, além do desejo de descobrir o mundo e as coisas boas que ele tem a oferecer e tem que se preocupar com estudos, trabalho, carreira e um monte de coisinhas chatas que fazem parte desse nosso imenso universo.
É que quando se é adolescente, pouco se pensa sobre o futuro. O aqui-e-agora é o que importa. Ser adolescente é ótimo! A maior preocupação é se aquele paquerinha vai te ligar ou não, se você vai bem na prova (porque se não for, sabe que não vai poder ver os amigos), se aquela fulana que não sai do pé dele não vai desistir nunca, que roupa você vai colocar para ir na festa...e por aí vai.
Daí acontece uma coisa muito chata: a gente cresce e amadurece (deveríamos, pelo menos)! É faculdade, dinheiro, trabalho, dinheiro, estágios, dinheiro, casamento (tem que ter algo bom pra salvar) e dinheiro! São tantas as preocupações que o tempo passa rápido demais e não se tem mais tempo e nem paciência pra uma bobagem qualquer com qualquer um.
A gente aprende que nada dura pra sempre e que a vida é difícil sim, mas pode ser pior se você deixar com que os problemas te consumam demais.
Quando se dá conta, a gente estaciona o carro, desce e escuta um moleque dizendo: “moça, posso olhar?” E nesse momento, as dores são tão intensas que... Bom, primeiro você se depara com a pobreza do garoto que não está na escola e precisa de alguns trocados pra ajudar a mãe em casa. Na verdade você se convence de que esse dinheiro vai ajudá-lo a comprar comida e não usar drogas... Daí depois vem outra dor...Do que ele me chamou? “moça”? “MOÇA”? Como assim??? Até pouco tempo eu era chamada de menina! E agora...moça! É... Esse é o peso do final de cinco anos de muito estudo! Esse é o peso do anel dourado na mão direita! Esse é o peso dos 2.4 que chegaram!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Sutilezas

Foi assim que começou a discussão.
- Se conselho fosse bom... Mas mesmo assim tenho que te dizer!
- Ih, lá vem...
- E não começa a reclamar, eu sei que não deveria te dizer tudo que eu penso, mas não consigo, é mais forte que eu.
- Fala, o que foi dessa vez?
- É que eu tava pensando...
- Você e essa sua mania de ficar pensando sobre as coisas.
- É inevitável...Tem coisas que não saem da minha cabeça assim facilmente.
- Nada sai da sua cabeça facilmente, esse é o problema. E você fica cada dia mais neurótica de tanto que você pensa.
- Eu não sou neurótica!
- Claro que é! E cada dia fica mais com essas suas amigas que só colocam besteiras na sua cabeça.
- Minhas amigas não tem nada a ver com isso. Você já parou pra pensar que eu tenho opinião própria?
- Ah se tem! Birrenta como você é, mas é claro que eu sei que tem opinião própria.
- Eu sou birrenta? Por que diz isso?
- Ah, e como você não soubesse do que estou falando né. Mas vem cá, qual o conselho que você ia me dar mesmo?
- Muito fácil pra você agora mudar de assunto! Não, quero saber porque é que você me acha birrenta. Vai...fala!
- Não vou repetir o que você já sabe. Todo mundo te diz isso...
- Quero ouvir sua opinião, vai fala!!!
- Ah meu amor, deixa isso pra lá....Quero saber qual o conselho que você tinha pra me dar. Não é que você seja birrenta, você apenas tem um gênio, digamos que, forte! E é por isso que eu gosto de você. Gosto quando você fica brava, adoro o jeito que você defende sua opinião custe o que custar e de quando você pede para eu escolher o local onde vamos jantar, mas sutilmente insinua que a “comida daquele restaurante italiano é maravilhosa”. Gosto do jeito que você justifica suas ausências nos eventos mais chatos da sua empresa com argumentos fictícios e totalmente convincentes, só porque você estava com vontade de assistir aquela comédia romântica que estreou no cinema... E acima de tudo, adoro quando você está com raiva e no meio da discussão você vem em minha direção como se fosse me atacar, mas no fundo só quer me beijar.
- Oh meu amor, como você é....Você repara em tudo isso? Ohhh....e...pior de tudo...você gosta de mim com todo esse meu gênio difícil, porque no fundo eu sei que não sou uma pessoa fácil né....mas....
- Vem cá, me dá um abraço vai!
......
- Então meu bem, qual era mesmo o conselho que você queria me dar?
- Ah, não é nada, só queria te dizer que essa sua camisa mostarda não combina nada com essa roupa e como nós já estamos quase de saída pra jantar... E por falar nisso, para onde nós vamos hoje?! Tô com uma vontade de comer massas...

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E como hoje é comemorado no Brasil o Dia do Homem (apesar de não saber o porquê de se ter inventado um dia para tal...), parabéns a todos os homens que ainda hoje sabem como tratar bem uma mulher (raríssimos são vocês) e fazê-la feliz.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Meias coloridas

Sem pensar em mais nada. Embotamento intelectual. E isso existe? Não deve existir não. Mas foi a única expressão para o momento. Está frio e faz sol. Seria melhor se chovesse um pouco, ajudaria a dormir melhor. Aliás, dormir? O que é isso mesmo? Segunda noite de insônia. Mas há um lado bom, já amanheceu e agora, de fato o dia pode começar.
O dia pode começar...Estranho. Esse é um dia que não sei por onde começar e nem quando vai terminar. É que na verdade os dias têm sido assim ultimamente. Muita ansiedade! Que tudo isso acabe logo. Mas poxa, já vai acabar? Sim, são cinco anos, uma hora tem que acabar. Sei que sentirei saudades, mas é tão gostoso estar perto do fim, mas tão gostoso que chego a pensar que não existe fim.
E não existe mesmo. A cada final existe um novo recomeço. O fim mais certo que existe é a morte, mas não é bom pensar nisso agora. Na verdade pensar na morte não é algo que me agrada muito. Dizem que a gente teme o que desconhece e devem ter razão. É que, além disso, pensar na morte me faz lembrar do quanto estou distante da minha religiosidade e isso me faz falta.
A fé está sempre presente na minha vida e é o que, na verdade, me fez chegar até aqui. Se não fosse a fé, sei que a fraqueza e o medo me impediriam de ser quem eu sou. Não me tornei essa pessoa sem graça e anti-social à toa, tive que superar meu medo da opinião alheia para ser assim. Tive que quebrar alguns esteriótipos sociais (e até mesmo pessoais). Foi a fé que me tornou quem eu sou. A fé de que existe uma força maior por mim e que Ela me dará o suporte que preciso pra encarar essa loucura toda. E meu deu! Todo o suporte que preciso. E espero ter esse suporte mais e mais. Prometo me dedicar mais a Ti também.
Mas o dia já está começando. O sol aparece levemente ente as nuvens e está frio.
Um bom banho, cabelo lavado e maquiagem no rosto pra amenizar as olheiras da noite mal dormida – ou seria não dormida?! Abrir o guarda-roupa e colocar aquela blusa sem cor, sem graça e sem sal. Porque no meu papel de aprendiz, descobri que devo usar roupas com cores sóbrias.
Eu ainda não descobri o que são cores sóbrias e eu não sinto vontade nenhuma de descobrir. Não quero ficar sóbria mesmo que seja apenas em vestimentas. Quero mais é me embriagar nessa loucura toda e calçar minhas meias coloridas. Elas ficam ali escondidinhas por debaixo da roupa e dentro do sapato. Seria um absurdo que as cores das minhas meias fossem vistas por todos. Seria uma exposição sem tamanho. Eu não gosto de me expor. Prefiro me manter em segredo. Prefiro estar embriagada de loucura e de cores. Mas só te mostro minhas meias coloridas se você me mostrar que ainda consegue sentir, combinado?