“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É tempo de travessia, e se não ousamos fazê-la, teremos nos fixado para sempre à margem de nós mesmos”.
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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Pessoa, Fernando
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sexta-feira, 11 de junho de 2010
Para todas as coisas
Para seduzir, olhar
Para divertir, bobagem
Para o carro, devagar
Mas para enfrentar, coragem
Para creditar, mentira
Para discutir, opinião
Para levantar, sol
Mas para dormir, colchão
Para entender, conflito
Para se ganhar, amigo
Para deletar, mensagem
Para o verão, viagem
Para fofocar, revista
Para distrair, TV
Para uma dieta, açúcar
E para amar, você
Para encontrar, vontade
Para atravessar, a ponte
Para desejar, sorte
E para ouvir, Marisa
Para Capitú, Machado
Para uma mulher, Clarice
Para Guimarães, Brasil
Na terceira margem do rio
Para o secador, molhado
Para o colar, anel
Para o batom, um beijo
Sempre muito apaixonado
Para se pintar, espelho
Para se perder, aposta
Para dividir, segredo
Para namorar, se gosta
Para um biscoito, avó
Para comprar, essencial
Para todas as coisas, nó
E para terminar, final!
[Ana Cañas]
Para divertir, bobagem
Para o carro, devagar
Mas para enfrentar, coragem
Para creditar, mentira
Para discutir, opinião
Para levantar, sol
Mas para dormir, colchão
Para entender, conflito
Para se ganhar, amigo
Para deletar, mensagem
Para o verão, viagem
Para fofocar, revista
Para distrair, TV
Para uma dieta, açúcar
E para amar, você
Para encontrar, vontade
Para atravessar, a ponte
Para desejar, sorte
E para ouvir, Marisa
Para Capitú, Machado
Para uma mulher, Clarice
Para Guimarães, Brasil
Na terceira margem do rio
Para o secador, molhado
Para o colar, anel
Para o batom, um beijo
Sempre muito apaixonado
Para se pintar, espelho
Para se perder, aposta
Para dividir, segredo
Para namorar, se gosta
Para um biscoito, avó
Para comprar, essencial
Para todas as coisas, nó
E para terminar, final!
[Ana Cañas]
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quinta-feira, 8 de abril de 2010
Se deve viver apesar de.
“Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente.Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita fui a criadora de minha própria vida."
C.L. em: Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres
C.L. em: Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres
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domingo, 21 de fevereiro de 2010
...
“Existe um ser que mora dentro de mim como se fosse a casa dele, e é. Trata-se de um cavalo preto e lustroso que apesar de inteiramente selvagem – pois nunca morou antes em ninguém nem jamais lhe puseram rédeas nem sela – apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha mão. Seu focinho é úmido e fresco. Eu beijo seu focinho. Quando eu morrer, o cavalo preto ficará sem casa e vai sofrer muito. A menos que ele escolha outra casa e que esta outra casa não tenha medo daquilo que é ao mesmo tempo selvagem e suave. Aviso que ele não tem nome: basta chamá-lo e se acerta seu nome. Ou não se acerta, mas, uma vez chamado com doçura e autoridade, ele vai. Se ele fareja e sente que um corpo-casa é livre, ele trota sem ruídos e vai. Aviso também que não se deve temer o seu relinchar: a gente se engana e pensa que é a gente mesma que está relinchando de prazer ou de cólera, a gente se assusta com o excesso de doçura do que é isto pela primeira vez.”
Lóri, em: Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres – Clarice Lispector
Lóri, em: Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres – Clarice Lispector
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Os insetos interiores
Notas de um observador:
Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.
A futilidade encarrega se de "mais tralos'.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, "infértebrados".
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se
A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.
Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.
[O Teatro Mágico]
Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.
A futilidade encarrega se de "mais tralos'.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, "infértebrados".
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se
A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.
Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.
[O Teatro Mágico]
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domingo, 4 de outubro de 2009
A fábula do porco-espinho
Durante a era glacial, muitos animais
morriam por causa do frio.
Os porcos-espinhos, percebendo a situação,
resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam
e se protegiam mutuamente; mas, os espinhos de cada
um feriam os companheiros mais próximos,
justamente os que ofereciam maior calor.
Por isso decidiram afastar-se uns dos outros
e voltaram a morrer congelados.
Então precisavam fazer uma escolha:
ou desapareceriam da Terra ou aceitavam
os espinhos dos companheiros.
Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos.
Aprenderam assim a conviver
com as pequenas feridas que a relação
com uma pessoa muito próxima podia causar,
já que o mais importante era o calor do outro.
E assim sobreviveram!
Moral da História:
O melhor relacionamento não é aquele
que une
pessoas perfeitas, mas aquele
no qual cada um aprende
a conviver com os defeitos do outro
e consegue admirar suas qualidades.
morriam por causa do frio.
Os porcos-espinhos, percebendo a situação,
resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam
e se protegiam mutuamente; mas, os espinhos de cada
um feriam os companheiros mais próximos,
justamente os que ofereciam maior calor.
Por isso decidiram afastar-se uns dos outros
e voltaram a morrer congelados.
Então precisavam fazer uma escolha:
ou desapareceriam da Terra ou aceitavam
os espinhos dos companheiros.
Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos.
Aprenderam assim a conviver
com as pequenas feridas que a relação
com uma pessoa muito próxima podia causar,
já que o mais importante era o calor do outro.
E assim sobreviveram!
Moral da História:
O melhor relacionamento não é aquele
que une
pessoas perfeitas, mas aquele
no qual cada um aprende
a conviver com os defeitos do outro
e consegue admirar suas qualidades.
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domingo, 13 de setembro de 2009
Perca peso
Você tem alergia, micose, passa mal
E toma sempre um Melhoral
A crescente agonia do seu ser denuncia
O seu cheque especial
Três por cento sobre a taxa de seguro total
Lhe parece ser banal
Acrescente Elysée Belt à lista de natal
E dá mais de três mil pau
No cheque especial
Tantas coisas pra lembrar
Tantos filhos pra criar
E dá-lhe xampu anticaspa
E dois comprimidos pra jantar
Não esqueça o perfume da mulher que tens
Nem procure desculpa
Pra dizer à sua filha que o Noel não vem
Papai Noel não vem
Deixe de lado o jogo de facas do seus sonhos
E vá buscar seu cachorro no cabeleireiro
Não esqueça o dia de casamento
Não esqueça a data de vencimento
Não esqueça o presente de sua cunhada
E perca peso agora
Perca peso agora
Se hoje seu café amanheceu gelado
Se hoje sua mulher dormiu do lado errado
Podia estar mal, mas está pior
E a tendência é se agravar
É melhor se engravatar
E eis que faltou
Aquele motivo pra pirar
Mas não há com que se preocupar
A sua hora vai chegar
E você vai se encontrar
Bebe água, dorme, não troca a cueca
Acorda e defeca e amém
Olha, gosta, compra
E perde, vende, troca ou aluga
E sua calvície nasce prematura
Como você se atura
Bêbado se dorme, cueca não se troca
Decora e afeta sua mente
Tira, tira, tora a tara, atura
Não esqueça a mulher do perfume, tenta o quê?
Nem procure sua filha
Pra dizer que o Noel, desculpa, não vem
Me desculpa, ele não vem
Deixa seus sonhos de lado e use as facas para o jogo
E vá morar com o cabeleireiro, seu cachorro
Nâo esqueça o vencimento da data
Não esqueça o casamento da chata
Não esqueça a cunhada de seu tormento
E perca peso agora
Perca peso agora
*Ainda precisa dizer algo?!*
Escute: http://www.youtube.com/watch?v=ccEKNmMKVA8
E toma sempre um Melhoral
A crescente agonia do seu ser denuncia
O seu cheque especial
Três por cento sobre a taxa de seguro total
Lhe parece ser banal
Acrescente Elysée Belt à lista de natal
E dá mais de três mil pau
No cheque especial
Tantas coisas pra lembrar
Tantos filhos pra criar
E dá-lhe xampu anticaspa
E dois comprimidos pra jantar
Não esqueça o perfume da mulher que tens
Nem procure desculpa
Pra dizer à sua filha que o Noel não vem
Papai Noel não vem
Deixe de lado o jogo de facas do seus sonhos
E vá buscar seu cachorro no cabeleireiro
Não esqueça o dia de casamento
Não esqueça a data de vencimento
Não esqueça o presente de sua cunhada
E perca peso agora
Perca peso agora
Se hoje seu café amanheceu gelado
Se hoje sua mulher dormiu do lado errado
Podia estar mal, mas está pior
E a tendência é se agravar
É melhor se engravatar
E eis que faltou
Aquele motivo pra pirar
Mas não há com que se preocupar
A sua hora vai chegar
E você vai se encontrar
Bebe água, dorme, não troca a cueca
Acorda e defeca e amém
Olha, gosta, compra
E perde, vende, troca ou aluga
E sua calvície nasce prematura
Como você se atura
Bêbado se dorme, cueca não se troca
Decora e afeta sua mente
Tira, tira, tora a tara, atura
Não esqueça a mulher do perfume, tenta o quê?
Nem procure sua filha
Pra dizer que o Noel, desculpa, não vem
Me desculpa, ele não vem
Deixa seus sonhos de lado e use as facas para o jogo
E vá morar com o cabeleireiro, seu cachorro
Nâo esqueça o vencimento da data
Não esqueça o casamento da chata
Não esqueça a cunhada de seu tormento
E perca peso agora
Perca peso agora
*Ainda precisa dizer algo?!*
Escute: http://www.youtube.com/watch?v=ccEKNmMKVA8
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sábado, 1 de agosto de 2009
Pessoa, Fernando.
Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.
Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um.
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.
Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um.
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domingo, 28 de setembro de 2008
Fome
“O ovo é uma exteriorização. Ter uma casca é dar-se.- O ovo desnuda a cozinha. Faz da mesa um plano inclinado. O ovo expõe. – Quem se aprofunda num ovo, quem vê mais do que a superfície do ovo, está querendo outra coisa: está com fome.”
O ovo e a galinha. Clarice Lispector. In: Felicidade Clandestina: José Olympio, 1975.
Não basta a superfície.
Tem que aprofundar-se!
Tem que ter é fome!
O ovo e a galinha. Clarice Lispector. In: Felicidade Clandestina: José Olympio, 1975.
Não basta a superfície.
Tem que aprofundar-se!
Tem que ter é fome!
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segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Tudo novo de novo
Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim
Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim
É tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos
Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou
E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou
Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos
[Moska]
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim
Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim
É tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos
Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou
E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou
Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos
[Moska]
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