sexta-feira, 22 de agosto de 2008

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Passou muito tempo acreditando que o verdadeiro amor seria a solução para seus problemas. Seria ele que preencheria aquele vazio angustiante. Apaixonou-se, amou, viveu e se entregou e descobriu que realmente o amor era capaz de preencher o vazio. Mas não era suficiente, embora acabasse com aquele vazio, a angústia permanecia. Claro que o amor é bom, disso não tem dúvidas. Mas queria mais, queria ir além.
O romance acabou, porque não acredita que o amor romântico seja pra sempre. Mas algo único foi construído naquela relação, que vai além do amor romântico dos contos de fadas. E isso sim é pra sempre.
Deu-se conta então que havia vivido sim um romance de conto de fadas, o verdadeiro amor romântico dos livros (ou então um amor adolescente, talvez) e que poucos têm a sorte de viver isso.
Sentiu necessidade de passar um tempo só. E sozinha em seu canto aos poucos foi voltando ao mundo real. Ao mundo em que os homens (entenda-se por homens, todos os seres humanos, sem especificação de sexo) têm medo de seus sentimentos; ao mundo em que os homens estão preocupados demais com os desejos da carne e pouco interessados em seus pensamentos e sentimentos.
O desejo sobressai a qualquer sentimento. É mais prático estipular limites para se envolver. É mais fácil não deixar que o outro nos conheça pra evitar grande comprometimento, maior entrega e possível decepção.
Descobriu neste tempo, que homens ( e agora sim, ser do sexo masculino) têm medo de mulheres inteligentes e independentes. Uma mulher que sabe o que quer, é determinada em seus objetivos e que tem consciência de que não precisa de homem para ser feliz, assusta. Muitos homens sentem-se ameaçados.
O que eles não entendem é que uma mulher, mesmo que não tenha necessidade de ter um homem para ser feliz, quer sim ter alguém ao seu lado para compartilhar suas vitórias, derrotas, angústias outras coisas. Quer alguém que esteja ao seu lado e não alguém a quem ser submissa. E que ser inteligente e não depender de alguém para ser feliz não representa ameaça nenhuma à sua condição de homem em um relacionamento.
Eis aqui outra verdade, homens gostam de mulheres frágeis, dependentes e diria, sem medo, até meio sonsas, pois essas inflam seu ego. Eles precisam dessas mulheres, pois essas não colocam em prova sua “masculinidade”, elas deixam que ‘seu homem’ sempre esteja no domínio da situação. Ou até mesmo, deixam que pensem que estão no domínio.
Achou engraçado observar tudo isso em poucos meses. Achou graça da análise que fez de amores e casos que já teve em sua breve existência. Achou graça de tudo isso, pois por uns instantes pensou que o mundo conspirava contra sua pessoa, que tinha sempre a capacidade de fazer os homens a odiá-la e se afastarem. Mas se deu conta de que se relacionou com um único homem realmente, pessoa destemida e de caráter e que os outros...bom, esses eram apenas meninos inseguros.

domingo, 3 de agosto de 2008

E então?!

O ser humano é movido por paixões. As pessoas precisam de alguma coisa a que se agarrar para ter vontade de levantar da cama todas as manhãs! Sem isso, são apenas pessoas vazia. As paixões que temos é o que nos motiva a viver, a dar um sentido à vida.
Mas o que te faz levantar da cama todas as manhãs? Seu emprego? Sua família? Seu amor? Seus filhos? Sua fé? Seu amor por música? Uma paixão por esportes, por animais...? O que dá sentido à sua vida?
Não há razões pra viver sem uma meta, sem um objetivo, sem um sentido. A força que temos para lidar com as dificuldades, com as crises, com as perdas e com frustrações vem da nossa paixão intensa por aquilo que nos motiva a sair da cama naquela manhã chuvosa de segunda-feira.
Mas até onde suas paixões te fariam agüentar uma crise, uma perda, uma frustração? O que você seria capaz de fazer para alcançar seus objetivos? Qual seria o limite? Até onde você levaria a moral consigo? Do que você teria coragem de abrir mão por aquilo que dá sentido à sua vida?

domingo, 20 de julho de 2008

Ego

Ego.
Egoísmo.
Egotismo.
Egocentrismo.
Egolatria.
Vaidade!
De acordo com a psicanálise, ego é uma instância psíquica que permite que o indivíduo proteja-se da realidade, das pulsões e dos imperativos do superego. Laplanche e Pontalis explicam que, do ponto de vista dinâmico ( já que o ponto de vista tópico e o econômico não caberiam nesta minha reflexão), o ego representa no conflito neurótico, o pólo defensivo da personalidade; põe em jogo uma série de mecanismos de defesa, estes motivados pela percepção de um afeto desagradável, ou seja, um sinal de angústia.
As ações controladas pelo ego, muitas vezes são puramente defensivas. O ego gera uma espécie de proteção da realidade e permite que o indivíduo se defenda daquilo que não lhe agrada. Essas ações defensivas do indivíduo podem ser consideradas como expressão da vaidade do ego.
É comum as pessoas sentirem intenso desejo de vingança quando lhes acontece um fato no qual se sentem desprivilegiadas. Há também certa dificuldade em aceitar que o outro se saia melhor em uma determinada situação ou mesmo que tenha imaginado uma forma diferente de sair desta. Todas essas impressões são imanentes à vaidade.
É dessa vaidade que surge então, como um mecanismo de defesa, o ressentimento! Ah... mas esse é um afeto que poucos têm a coragem de assumir que sentem! Para Nietzsche, o ressentimento é um afeto que “não ousa dizer seu nome”. Com base nisso, Maria Rita Kehl, afirma que o ressentimento “quando nomeado, revela sua face negativa, de envenenamento psíquico e moral; mas quando é velado por uma pretensa pureza moral, goza da adesão e da simpatia da maior parte das pessoas”.
Não é difícil reconhecer o ressentido. Ele tem o desejo de vingança fortemente instalado em seus pensamentos. Mas não tem desejo pela vingança banal de querer ver o outro sofrer o mesmo que ele sofreu. Não, muito pelo contrário: a melhor vingança para o ressentido é exibir diante do ‘agressor’ um bem conquistado, um sucesso, um momento de felicidade.
A exibição de algum momento de felicidade, de algo bem sucedido diante daquele que fez o indivíduo tornar-se ressentido é um simples mecanismo de defesa do ego para escapar de uma realidade que não lhe agrada e não passa de uma forma de expressão da vaidade do ego!