É que no final do dia nós estamos sempre sozinhos. Não importa o que aconteça desde a hora em que se tira a o pé da cama até a hora em que a cabeça deita-se novamente no travesseiro. Não importa o que aconteceu, com quem se falou, quem se beijou ou abraçou, com quem se irritou ou quem te deu um sorriso que te impediu de cair aos prantos, quando você pensava que não ia mais suportar. Você sempre estará sozinho ao final do dia. Independentemente de quem divide a cama ou o quarto contigo. Ao deitar na cama e fechar os olhos é com você mesmo que você terá que se entender.
É em si mesmo que você encontrará respostas para as questões que lhe tirarão o sono por noites e noites a fio. É em você que se encontra a força para levantar no dia seguinte e encarar aquela situação que lhe dá dor de barriga e suadouro nas mãos. É consigo mesmo que deve conversar para contar aquele segredinho que nem teu melhor amigo pode saber.
É de si mesmo que deve rir relembrando das besteiras que disse, ou das situações embaraçosas que vivenciou. É consigo mesmo que ficará decepcionado por não ter conseguido aquela tão sonhada vaga de emprego. É consigo que ficará remoendo aquela briguinha idiota com seu amigo, só porque ele devolveu teu tênis um pouco ralado pelo futebol.
É porque não importa o que aconteça, não importa quem se tenha na vida, o que se tenha na vida, no final do dia, nós sempre estamos sozinhos. Sozinhos com nossos medos, angústias, felicidades, vitórias, decepções e desejos mais secretos. É porque no final do dia, nós temos a nós mesmos como melhor confidente, como melhor companhia....E depois de ter se doado um pouco a cada pessoa e a cada situação que tenha passado, estar sozinho neste momento é a melhor felicidade que se pode ter.
quarta-feira, 17 de março de 2010
domingo, 21 de fevereiro de 2010
...
“Existe um ser que mora dentro de mim como se fosse a casa dele, e é. Trata-se de um cavalo preto e lustroso que apesar de inteiramente selvagem – pois nunca morou antes em ninguém nem jamais lhe puseram rédeas nem sela – apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha mão. Seu focinho é úmido e fresco. Eu beijo seu focinho. Quando eu morrer, o cavalo preto ficará sem casa e vai sofrer muito. A menos que ele escolha outra casa e que esta outra casa não tenha medo daquilo que é ao mesmo tempo selvagem e suave. Aviso que ele não tem nome: basta chamá-lo e se acerta seu nome. Ou não se acerta, mas, uma vez chamado com doçura e autoridade, ele vai. Se ele fareja e sente que um corpo-casa é livre, ele trota sem ruídos e vai. Aviso também que não se deve temer o seu relinchar: a gente se engana e pensa que é a gente mesma que está relinchando de prazer ou de cólera, a gente se assusta com o excesso de doçura do que é isto pela primeira vez.”
Lóri, em: Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres – Clarice Lispector
Lóri, em: Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres – Clarice Lispector
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Inquietações
sábado, 30 de janeiro de 2010
Simplesmente seja
Nada que umas boas horas de música não resolva. É só ligar o rádio e ouvir aquela música de que tanto gosta, que o dia se transforma. Esquece os problemas, as dívidas, a falta de tempo e de dinheiro, o pouco cuidado consigo mesma e, pelo menos por um momento, despe-se de suas máscaras e existe, e é!
Existe por si mesma, sem medos, sem pudores, sem amarras, sem vergonha e canta! E canta alto, e ri e chora, numa mistura de emoções maravilhosamente boas que só ela há de compreender. Porque não há coisa melhor nesse mundo do que música! Só a música acalma, emociona, conforta!
É o som! Não são as palavras cantadas, mas a batida, o ritmo, a melodia! É o som que liberta, que inspira, que faz o coração bater mais forte ou uma lágrima escorrer no canto do olho. É a melodia que representa a alegria ou tristeza do momento, ou mesmo aquela mistura confusa e excitante de emoções. As palavras cantadas são o complemento, a possibilidade de expressar-se, de tentar, inutilmente, cristalizar emoções.
Então simplesmente fecha os olhos, sente o vento batendo no rosto e canta! E se emociona! Esquece de quem está ao redor ou de quem possa ouvi-la ou do que seja lá que vão pensar. Não importa! No meio do caos cotidiano, às vezes esquece de si mesma, de seus gostos e suas vontades e apenas vive...empurra com a barriga e esquece de existir.
Este momento é seu e só seu! Ninguém mais compreende o que a música representa. Ela existe pela música! Sente-se viva e completa em sua individualidade. Sente-se feliz, e não importa que esteja só, é justamente isso que é lindo! Ela está só, num momento seu, e isso basta! Não precisa de riquezas ou de pessoas ao redor pra sentir-se feliz. Ela mesma se basta!
Sabe que estar momentaneamente só não significa solidão. Sabe que se sentir bem consigo mesma, em seu mundo mais secreto e íntimo é totalmente o oposto de solidão. Sabe que é só abrir os olhos que entenderá a razão de sentir-se feliz e completa!
O mundo está ali, diante do seu nariz e ela gosta do que vê, do que sente, do que faz e do que vive. É uma felicidade que não cabe em si, então a música a faz sentir intensamente as emoções vividas, a faz compreender a razão de ser completa e ser feliz. Então ela sabe que basta ser, em essência e intensidade para existir.
Existe por si mesma, sem medos, sem pudores, sem amarras, sem vergonha e canta! E canta alto, e ri e chora, numa mistura de emoções maravilhosamente boas que só ela há de compreender. Porque não há coisa melhor nesse mundo do que música! Só a música acalma, emociona, conforta!
É o som! Não são as palavras cantadas, mas a batida, o ritmo, a melodia! É o som que liberta, que inspira, que faz o coração bater mais forte ou uma lágrima escorrer no canto do olho. É a melodia que representa a alegria ou tristeza do momento, ou mesmo aquela mistura confusa e excitante de emoções. As palavras cantadas são o complemento, a possibilidade de expressar-se, de tentar, inutilmente, cristalizar emoções.
Então simplesmente fecha os olhos, sente o vento batendo no rosto e canta! E se emociona! Esquece de quem está ao redor ou de quem possa ouvi-la ou do que seja lá que vão pensar. Não importa! No meio do caos cotidiano, às vezes esquece de si mesma, de seus gostos e suas vontades e apenas vive...empurra com a barriga e esquece de existir.
Este momento é seu e só seu! Ninguém mais compreende o que a música representa. Ela existe pela música! Sente-se viva e completa em sua individualidade. Sente-se feliz, e não importa que esteja só, é justamente isso que é lindo! Ela está só, num momento seu, e isso basta! Não precisa de riquezas ou de pessoas ao redor pra sentir-se feliz. Ela mesma se basta!
Sabe que estar momentaneamente só não significa solidão. Sabe que se sentir bem consigo mesma, em seu mundo mais secreto e íntimo é totalmente o oposto de solidão. Sabe que é só abrir os olhos que entenderá a razão de sentir-se feliz e completa!
O mundo está ali, diante do seu nariz e ela gosta do que vê, do que sente, do que faz e do que vive. É uma felicidade que não cabe em si, então a música a faz sentir intensamente as emoções vividas, a faz compreender a razão de ser completa e ser feliz. Então ela sabe que basta ser, em essência e intensidade para existir.
“Simplesmente seja, o que você julgar ser o melhor”
(Maria Rita)
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