sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Paixão e loucura

É agora que tudo começa. Até então foram muitos os esforços feitos, os dias turbulentos, as noites mal dormidas, finais de semana cercada de livros e textos, vida social bastante limitada, ausências, saudade do amor, da família, dos amigos. Mas a partir de hoje tudo muda. O sonho tornou-se realidade.
O caminho foi longo e árduo. Muitos sacrifícios precisaram ser feitos. Por diversas vezes a incompreensão de alguns taxava as ausências como falta de companheirismo, falta de vontade de estar junto. O cansaço e o sono eram vistos como preguiça. As horas dedicadas aos livros como exagero. A falta de dinheiro como mesquinhez.
Prioridade. Na verdade, essa sempre foi a questão: prioridade! Um objetivo, uma meta, um sonho, um desejo! Tudo isso implica determinação. Ironicamente, determinação é algo novo. Começar um projeto sempre foi fácil, mas terminá-lo era muito difícil. Dessa vez não, existiu determinação, pois o desejo era mais forte e, definitivamente valeu a pena!
Foram anos de muito aprendizado sobre psicologia, sobre o ser humano e, também, sobre mim mesma. Os livros e professores puderam ensinar muito do que sei hoje, mas os colegas de sala e os profissionais que encontrei no caminho, ensinaram muito mais. A vivência que se tem é sempre muito mais rica do que o que se lê nos livros.
Depois de muitos tropeções, desentendimentos e decepções, aprendi, neste último ano, que existem pessoas que, com raros gestos, ainda são capazes de demonstrar amizade, companheirismo e solidariedade. Pessoas com as quais aprendi muito a respeito da vida e que, certamente, guardarei todos os momentos vividos, com muita alegria para o resto da vida.
Tudo foi vivido intensamente! Os sacrifícios, a aprendizagem, as risadas e bons momentos. As teorias criadas por nós para explicar banalidades da vida, os momentos cômicos de auto-analises, as associações mais infantis que fazíamos para estudar, os segredos e tudo que aconteceu fora das salas de aula.
Excelentes profissionais fizeram parte dessa jornada e com eles muito aprendi, conhecendo o lado prático da teoria. No entanto, ao conhecer o lado pessoal de alguns profissionais senti nojo. Aprendi que as pessoas só mostram aquilo de si que convém, mas esquecem que as máscaras sempre caem. Aprendi que dentro de todo ser humano existem monstros e que, às vezes, eles vencem. Por outro lado, existem profissionais que vivem a psicologia com paixão e dedicação. Que usam os conhecimentos para fazer bem ao próximo e não para satisfazer desejos perversos.
Aprendi que é preciso ser! Não basta apenas existir, é preciso ser – e ser em essência, pois ser implica conhecer o que há de melhor e pior em si e despir-se de preconceitos, repensar comportamentos individualistas e mesquinhos. Aprendi que tanto na vida quanto na profissão é preciso estar-junto-para-o-que-quer-que-seja-em-qualquer-momento.



"Viver, e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar (e cantar e cantar) A BELEZA DE SER UM ETERNO APRENDIZ. Eu sei que a vida devia ser bem melhor e SERÁ. Mas isso não impede que eu repita: É bonita, é bonita e é bonita!"

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Mas fica só entre a gente, tá?

Necessidade imensa de gritar. É isso!
Sentimentos inexplicáveis, difíceis de traduzir em palavras!
Compartilhar medos, angústias, dores e segredos...
Intimidade é algo assustador!
Cumplicidade é coisa rara...
Confiança exige tempo, respeito e transparência.
Só que transparência implica intimidade.
Esse é um ciclo que torna os relacionamentos tão complexos!

Tem coisas que só a própria experiência pode explicar.
Viver vai muito além do que se pode imaginar.
Alias, tem coisas realmente inimagináveis que surpreendem!
Só quem vive é que pode entender a grandeza de pequenos gestos.
Acontece! Aquilo que menos se espera: acontece!
E quando acontece: o que fazer com tudo isso?
Já se sofre tanto nessa vida, que entre todas as opções, o riso é a melhor solução.
Rir! Ah, um riso de alívio pela dor, pela vergonha, pelos erros!
Um aprendizado. Definitivamente um grande aprendizado! Inesquecível...
É o que se tem para o momento: o riso e o grito!


“... e nesse silêncio profundo se esconde minha imensa vontade de gritar” – Clarice Lispector.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O não dito

As palavras têm um peso tão grande em nossa vida. Pesam tanto que muitas vezes torna-se conflituoso decidir o que deve ou não deve ser dito. Na verdade muitas palavras devem ser ditas – afinal elas existem para serem usadas, mas desde que no momento certo e para a pessoa certa.
Difícil é quando não existe receptor para o que vai ser dito. Ou até existe, mas é alguém que só existe fisicamente, pois pouco lhe importa o que será dito. Aí palavras são apenas palavras! Mas o fato é que palavras nunca podem ser apenas palavras! Elas carregam um peso de significado tão intenso e complexo que quando ditas para ferir, o fazem melhor do que um tapa ou beliscão.
Saber ouvir, na verdade, saber escutar, é um dom. Como diz Rubem Alves: “Escutar é complicado e sutil”. Mas e sobre saber falar? Por que poucos se preocupam com o falar em si. Falar é coisa complicada também e é quase sempre um risco.
Existe o risco de se perder quando algumas palavras são pronunciadas, e quase sempre isso acontece não pela palavra em si, mas pelo significado que ela carrega ou pelo contexto em que são ditas. Porque no momento em que são ditas, elas se concretizam e muitas vezes ferem como pedrinhas coloridas que, quando criança se colecionava e às vezes se jogava na cara de alguém, de propósito mesmo, para machucar.
Mas existe também o risco de não se falar. Sim, existe o risco do silêncio. É que o não dito machuca às vezes também. E, dessa forma, afirma Lya Luft: “Vivemos nesses enganos, nesses desencontros, nesse desperdício de felicidade e afeto. No sofrimento desnecessário, quando silenciamos em lugar de esclarecer”. É um silêncio angustiante, ressentido e nele se acumulam amargura e incompreensão. A palavra não dita faz mal para quem as guarda para si. É como se uma bola sei lá do que e sei lá de que tamanho fosse se formando dentro do estômago e dá aquela dor, aquela ânsia inexplicável.
Mais do que saber escutar, como afirma Rubem Alves, é imprescindível saber usar as palavras. Elas fazem parte de nossa essência enquanto seres humanos e saber usá-las adequadamente é um aprendizado constante, pois com ela nos aproximamos do outro, nos entregamos ou nos negamos, acalmamos, ferimos e matamos.

*****

"Palavras e silêncio, que jamais se encontrarão" - Zeca Baleiro